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terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Leitura Extraclasse



Indiscutivelmente, o professor de Língua Portuguesa tem uma grande e séria responsabilidade quando se vê na incumbência de indicar uma leitura extraclasse. Não é uma tarefa fácil nem tampouco imediata. A escolha dentre tantas ofertas existentes no mercado requer, antes de mais nada, que o educador, além de ser um conhecedor cauteloso do conteúdo do texto, saiba conscientemente que objetivos deseja atingir com a obra escolhida, sem falar na disponibilidade financeira necessária para uma boa seleção.
Uma leitura extraclasse não deve ser divorciada da sua utilização dentro da realidade do educando que será submetido a esse exercício, pois é mais do que sabido que quase todo estudante possui resistência à leitura, uma vez que o bombardeio de informações imediatas faz parte do seu dia-a-dia. Não se pode esquecer de que todo este processo é também responsável pela dificuldade de repassar para o papel as ideias numa prova de redação.
Com a urgência do raciocínio lógico e rápido é muito mais prático e, por que não dizer mais fácil, ligar a máquina, achar tudo pronto no “site” e nem precisar fazer esforço para pensar argumentos. Nesse momento, a atuação do professor deve ser direta e convincente, mostrando ao seu aluno que a leitura permite vôos, dimensiona o pensamento, a imaginação e viaja em fantasias, através de técnicas de debates e de tocas de ideias, o que enriquece o vocabulário, possibilitando a estruturação de argumentos bem fundamentados na construção de um texto.
Com todo esse processo, a boa leitura não se perde nem se esvazia e funciona como ponte para analogias, exemplificações e fonte de consulta toda vez que for necessário.
 
A boa leitura fica, enriquece, ultrapassa os limites das palavras e atinge reflexões e produções inesgotáveis.
Por Mara Gonçalves
Fonte: Folha Dirigida


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sábado, 1 de dezembro de 2012

Linguagem Figurada



A Língua Portuguesa é constituída por normas gramaticais estabelecidas pelo padrão culto da língua. Por ser dinâmica, está em constante modificação, razão por que, tanto na linguagem oral como na escrita, podem ocorrer erros ou vícios. Esses erros e vícios, que formam a linguagem figurada, originam o estilo que cada autor escolhe a fim de diferençá-lo, particularizá-lo.
São vários os recursos de que a gramática dispõe para ampliar a estilística usada para nos expressarmos. A gramática normativa define os princípios que norteiam a ordem das palavras nas frases bem como o relacionamento dessas palavras com outras quando inseridas em orações, períodos e textos. Entretanto, diversos fatores influem na regência, na concordância ou na colocação (estrutura da frase). A palavra também pode adquirir variados significados, fazendo surgir as figuras  de linguagem. 

Antes de relacionarmos as figuras, convém definirmos denotação e conotação. Denotação é o sentido dicionarizado da palavra; conotação é o sentido que se quer dar. 
Observe o emprego da palavra boneca nas seguintes orações:
1. Dei uma linda boneca para Aninha.(brinquedo) – sentido denotativo;
2. Minha neta é uma boneca. (bonita) – sentido conotativo.
No rol das figuras de linguagem encontramos algumas que interferem no estilo, no pensamento, outras que afetam a construção, a sintaxe. Relacionamos as principais:
Metáfora: a palavra é usada com conotação diferente, mantendo, porém, uma relação de semelhança com o original: Ex.: Seus olhos são estrelas de cristal.
Comparação: difere da metáfora porque com ela deve ser usada a conjunção comparativa como: Ex.:Seus olhos são como estrelas de cristal.
Metonímia: aparece quando a palavra é usada para designar algo com a qual mantém uma relação real, lógica, de proximidade, contiguidade de sentido ou posse.
Alguns exemplos:
1. o continente pelo conteúdo: Ex.: Para comemorar, bebemos uma taça de vinho.
2. a causa pelo efeito: Ex.: Construiu seu patrimônio com suor e lágrimas.
3. o autor pela obra: Ex.: Gosto de ler Saramago.
4. o inventor pelo invento: Ex.: Édson ilumina o mundo.
5. o símbolo pela coisa simbolizada: Ex.: O homem que teme o juízo final não se afasta da cruz.
6. a parte pelo todo: Ex.: Em maio, ela completará dezoito primaveras.
7. o instrumento e a pessoa que o utiliza: Ex.: Maurício é um bom garfo.
Catacrese é o emprego de dois termos cujo relacionamento ou é aparentemente contraditório ou fundamentado em acidental ou remota semelhança. Há uma relação semântica entre os termos: Ex.: Montei a cavalo num burrico. / Embarcamos no trem das onze.
Antítese: apresentam-se idéias opostas: Ex.: “Quando um muro separa, uma ponte une.” (Paulo César Pinheiro)
Apóstrofe  é uma interpelação enfática de pessoas ou coisas que podem estar presentes ou ausentes. Corresponde ao vocativo: Ex.: Deus! Deus! Onde estás que não respondes? (Castro Alves)
Exclamação é uma expressão de surpresa ou entusiasmo para realçar uma intensa emoção: Ex.:“Ó idéias cegas! Ó gentilezas enganadas! Ó discrições mal entendidas!”
Interrogação: substituição de uma afirmação pura e simples por uma pergunta: Ex.: Não vê que suas lamúrias já não causam piedade?

Ironia: expressão que contém o oposto do que se quer dizer, com a intenção de criticar ou desprezar.
Ex.:  “Que prova esplêndida a sua! Não conseguiu a nota mínima...”
Gradação: expressão progressiva do pensamento por meio de palavras, que podem ser ou não sinônimas, variando da menos intensa para a mais intensa ou vice-versa:  Ex.: “Os que a servem são os que não invejam, os que não infamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não acobardam, mas resistem, mas esforçam, mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo.” (Rui Barbosa) 
Perífrase: palavras ou frases que substituem nome comum ou próprio, sempre pondo em destaque algum atributo do ser: Ex.:  O astro-rei brilha intensamente.
Hipérbole: exagero:  Ex.: Estou esperando faz dez horas.
Eufemismo - atenuante intencional de certas expressões consideradas desagradáveis: Ex.: “Passou desta para melhor”
Prosopopéia (personificação) - figura de retórica  em que se atribui características de seres animados a seres inanimados; características humanas a não-humanos, como o dom da palavra ou movimentos. Ex.:  A floresta gesticulava nervosamente diante do fogo que a devorava.
Alegoria: série de figuras (metáforas, comparações,...) que transferem a narrativa (personagens e ações) para o plano do símbolo ou da fábula. Alguns ditados populares podem ser exemplos de alegorias: Ex.: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.” / “Mais vale um pássaro na mão que dois voando.” / “Casa de ferreiro, espeto de pau.”
Assíndeto - coordenação de termos sem uso de conectivos: Ex.: Ria, chorava, cantava, ria, novamente cantava, voltava a chorar...
Polissíndeto - repetição de conectivo: “O amor que a exalta e a pede e a chama e a implora.”  
Hipérbato - inversão da ordem normal dos termos da frase ou da oração (para dar ênfase ao termo deslocado). Ex.:  Das minhas costas cuido eu!
Anacoluto – interrupção da construção iniciada, prosseguindo a frase de outra maneira. Ex.: “Eu, parece-me que vou desmaiar.”  /  “Minha vida tudo não passa de alguns anos sem importância.”

Silepse - concordância ideológica. Podemos encontrar três tipos de silepse:
a)  de gênero: Ex.: “Sua Excelência está acamado.” = homem /  “O Amazônia foi construído no Brasil.” = navio.
b) de número: Ex.:  “Estamos muito contente (s).” /  “Antes sejamos breve que prolixo”
c) de pessoa: Ex.: “Os cariocas somos alegres.” /  “Todos os filhos de Adão padecemos nossas mutilações e fealdades”
Pleonasmo: repetição de ideias com as mesmas palavras ou não: Ex.:“Vi com meus próprios olhos.” / “A mim ninguém me engana.”
Elipse: supressão de um termo facilmente subentendido: Ex.: “Fui à catedral ( igreja catedral)

Anástrofe/ hipérbato: é uma inversão da ordem dos termos de uma ou de várias orações no período: Ex.:  “Pelas obras se conhecem os homens”. (anástrofe) / “Enquanto manda as ninfas amorosas grinaldas nas cabeças pôr de rosas” (hipérbato)
Existem  algumas figuras que  interferem nos sons da fala e, por isso, são muito exploradas pela poesia.
Aliteração: uso repetido de letras iguais, de sílabas ou sons, na mesma frase, com a intenção de produzir um efeito harmônico. Ex.: Carol cansada coitada cantou cantigas contagiando os colegas.
Assonância: É a repetição de vogais na mesma frase: Ex.: “Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático do litoral" (Caetano Veloso)

Onomatopéia:  consiste na tentativa de reproduzir, imitar, os sons e ruídos do mundo natural. É muito usada na literatura infantil. Ex.: blim, blom, chuá, buá, pingue-pongue, miau, tique-taque, zunzum
Há ainda figuras formadas por motivos  morfológicos.

Pelo emprego expressivo dos sufixos:
Aumentativo ou diminutivo para: 
a) expressar afetividade sem qualquer relação com a dimensão física do ser: Ex.: mulherão, paizinho...
b) exprimir escárnio, depreciação, ironia: Ex.: padreco, politicalha, jornaleco, artiguete.
Pelo emprego de tempos e modos verbais:
a)           o presente pelo futuro  a fim de indicar desejo expresso com firmeza. Ex.: Amanhã em vou ao teatro.
b)           b) o imperfeito traduzindo pedido: Ex.: Eu queria meio metro de fita vermelha. (em vez de quero).
c)            c) o presente pelo pretérito para dar diferente característica  à narração ou sensibilizar o ouvinte ou leitor: Ex.: Então, em 1939, Hitler invade a Polônia.
d)           d) o plural de convite: o emprego do verbo no plural para incentivar uma pessoa a praticar uma ação trabalhosa ou desagradável. Ex.: Olha, filhinha, vamos tomar o remedinho.
e) o plural de modéstia: o autor falando de si mesmo: Ex.: Nós, ao elaborarmos este artigo, pensamos em esclarecer pontos obscuros. 

Por Nanci da Costa Batista
Fonte: Folha Dirigida



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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Interpretação de Textos: algo de subjetivo no ar



Como lhes disse em um artigo pretérito, comecei a olhar com mais carinho os concursos de Tribunais. Antes, eu os via como desafios intransponíveis. Agora, continuo os achando difíceis, mas sinto que tenho como alcançar vitória neles. É claro que eu estou tendo que suar a camisa!
Daí, precisei dar maior atenção que dava antes aos conhecimentos de Língua Portuguesa. Gosto muito da matéria. Fiz cursos dela, mas não dava-lhe tanta ênfase como passarei a dar agora.
Notem bem que meu ponto fraco sempre foi interpretação de textos. Desde os primórdios em que comecei a estudar Língua Portuguesa, perco pontos que fazem diferença nos concursos nesse quesito. Já cheguei ao ponto de aceitar essa deficiência, tentando compensar no resto. E nesse resto, consigo ir bem, pois internalizei bem os conteúdos.
Ocorre que a concorrência nos concursos de Tribunais é tão apertada, segundo dizem, que essa questão de interpretação faz uma tremenda diferença na classificação final. Um amigo que já estuda mais de um ano para essa área diz que é possível perder umas 100 (cem) posições por causa de uma única questão. Fiquei assustada com essa revelação e resolvi enfrentar o meu calcanhar de aquiles!
Corrijam-me se eu estiver errada, mas minha dificuldade maior está em enxergar certo subjetivismo na elaboração do gabarito. Parece que o examinador coloca um pouco da própria opinião – algo que não está no texto – na formulação do mesmo. Com isso, nunca consigo adivinhar o que, segundo ele (a), o autor quis dizer. É isso mesmo, leitores? Gostaria de saber.
Em um dos cursos que fiz sobre interpretação de textos, aprendi que a primeira premissa básica para resolver as questões é não responder segundo sua própria opinião. Ou, então, não marcar a opção que seja fruto da sua própria conclusão. O correto seria cingir-se àquilo que está escrito. Tenho procurado fazer isso desde que a época em que comecei a estudar para concursos, mas confesso que a dificuldade persiste. Eu leio o trecho do texto, depois procuro relê-lo como um todo à procura da “voz”, do discurso dele. Ainda assim, eu erro as questões.
Como afirmei antes, posso estar errada. Pode ser que eu tenha problemas de leitura, algo que eu carregue desde a época dos bancos escolares. Realmente não sei. A única certeza que tenho é a de que precisarei me esforçar muito daqui para frente para conseguir melhorar minha pontuação.
O meio que encontrei para tentar evoluir nesse quesito foi a resolução de exercícios. Disponho de um livro muito bom de questões comentadas e separadas por assunto. Estou as resolvendo em casa. Afinal, a teoria que já li nos livros e assimilei nos cursos já me atenderam muito bem para resolver questões sobre tipologia textual (diferenciação entre texto argumentativo, dissertativo, descritivo, narrativo). No entanto, no meu caso, creio que resolver as provas seja a solução para aparar essa pequena e significativa aresta.

Por Raquel Monteiro
Fonte: Blog do Concurseiro Solitário



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