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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Ética e concursos públicos



Logo pela manhã acessei o site de um grande jornal para dar uma passada de olhos nas principais notícias e me deparo com essa manchete e grandes letras:
Grupo investigado pela PF usou senha do MEC para alterar dados de faculdade.
“Paulo Rodrigues Vieira, o diretor da ANA (Agência Nacional de Águas) preso desde a última sexta sob acusação de tráfico de influência em órgãos do governo federal, obteve uma senha privativa de um funcionário do Ministério da Educação para alterar dados financeiros de uma faculdade de sua família.
A mudança dos parâmetros financeiros serve, em tese, para a faculdade conseguir mais recursos do governo em programas como o Pro-Uni, de bolsas para estudantes pobres, e o Fies, de financiamento de mensalidades.”
Segundo a matéria (http://www1.folha.uol.com.br/poder/1191773-grupo-investigado-pela-pf-usou-senha-do-mec-para-alterar-dados-de-faculdade.shtml) o tal servidor do Ministério da Educação forneceu seu CPF e senha cadastrados no sistema de informática do ministério em troca de vantagens financeiras. Não foi dito se o tal servidor é estável ou comissionado.
Caramba, esse tipo de coisa é revoltante. Antes de começar a estudar para concursos públicos e me tornar servidor público, me revoltava com notícias como essa, como brasileiro, cidadão e pagador de impostos. Caramba, estão fazendo bandalheiras com o nosso suado dinheiro em um país com uma das maiores cargas tributárias do mundo. Como concurseiro e servidor a revolta é muito maior, pois servidores como esses sujam o nome de todos os servidores públicos, nos nivela por baixo, deixa encardida a imagem de quem luta para ingressar no serviço público. Por conta de maus servidores como esse já ouvi algumas vezes comentários que mesmo ditos com tom de brincadeira não deixam de ter no fundo alguma crítica… “Quer entrar no governo para meter a mão, não é mesmo?!”.
Ética… desde sempre ouço essa palavra, entendo o que significa, a emprego em minha vida pessoal e profissional… mas como também desde sempre vejo essa bandalheira de corrupção, negociatas e tudo o mais, parece que se fala mais de ética do que se pratica a ética.
O pior é que há servidores públicos que se vendem por tão pouco… caramba, nesse novo escândalo citado na notícia, fala-se em valores pagos para servidores que gira dos “estratosféricos” R$300 a R$20 mil. Caramba, arriscar perder um cargo público que é para a vida toda se você fizer direito e honestamente o que deve fazer por conta de tão pouco? Não entendo, simplesmente não entendo.
Não duvido que há muitos concurseiros que pensam… “Quando for empossado, se surgir uma chance de ganhar um por fora, aproveitarei mesmo, não estou nem aí“. Uma pena… uma pena maior ainda que gente assim poderá e irá passar e ser empossada.
Se você (espero do fundo do coração) não tem essa maldita pré-disposição para a corrupção, blinde-se desde já das tentações que poderão e irão surgir. Duvido que tenha um servidor público que ao longo de sua carreira já não sofreu uma tentativa de aliciamento. Eu ainda não passei por isso, mas tenho certeza de que minha hora chegará e tenho um “NÃO” prontinho para quando ela surgir. Ralei demais, sofri demais, enfrente dificuldades demais para conquistar o cargo público que hoje tenho para me vender dessa forma. Pode ser inocência, mas acredito na ética e acredito no Brasil… e isso é meu escudo. Penso assim… R$300 de propina no serviço público é uma criança que fica sem merenda escolar por meses. Aqui em São Paulo gasta-se R$300 numa saída de sexta-feira a noite… não entendo como tem gente que se diverte sabendo que aquela diversão será paga com a fome de uma criança pobre, como a dor de um doente carente, com a vida de um cidadão que depende de alguma coisa fornecida pelo serviço público.
RESUMO DA ÓPERA - A ética começa no berço… e estudar para concursos públicos é o berço do serviço público… pense nisso.

Por Charles Dias
Fonte: Blog do Concurseiro Solitário



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segunda-feira, 1 de agosto de 2011

A moralidade nos Concursos Públicos

Por Adilson Luiz Gonçalves

Os concursos públicos são como as avaliações nas escolas: Uma maneira de testar os conhecimentos do indivíduo, sob pressão!

             Obviamente, estamos falando dos concursos honestos, oriundos de demandas reais, organizados por instituições idôneas e disputados por cidadãos que dispõem das mesmas “armas”: lápis, borracha, caneta azul ou preta, e capacidade intelectual - O concurso público é, sem dúvida, um fantástico instrumento e símbolo de democracia, quando conduzido com lisura! Com ele, os poderes: econômico e político ficam impedidos de exercer sua principal estratégia: o tráfico de influência, também conhecido como: “pistolão”, “cartas marcadas”, apadrinhamentos e outros artifícios imorais. Não é por acaso que os principais detratores dos concursos públicos, são: Os que querem “entrar”, mas, acham que não precisam provar sua “competência” ou “qualificação”, baseados no bordão: “La garantía soy jo!”, ou seja, não estão preparados para uma disputa em igualdade de condições com os outros; e os que querem contratar, com ou sem necessidade, mas, preferem trabalhar com pessoas “conhecidas”, ou seja, “leais” ou submissas, ou a quem devam favores.
               É claro que o fato de ser aprovado num concurso público idôneo não é um atestado de bom caráter. Aliás, nem todo o mau caráter tem ficha policial ou título protestado... Muitos, até, gozam de imunidade...
         Além disso, se a má intenção existe, um concurso público não é um problema incontornável... Algumas “lendas” contam que alguns “escolhidos” têm acesso, prévio, ao resultado das provas, ou que estas podem ser trocadas ou, simplesmente, adulteradas... Assim, “cidadãos” que, se caírem, de quatro, numa pastagem, jamais se levantarão, podem passar, com “louvor”, em seletivas para cargos bem remunerados, que demandam especialistas...
              Ok, milagres acontecem, e a Engenharia Genética está em franca evolução!
Outras “fábulas” falam de um certo tipo de “benção”: alguns passam em concursos para funções de baixa remuneração, braçais, que exigem conhecimentos de ensino fundamental... Só que, uma vez empossados, subitamente, ascendem a cargos de nível universitário, sem concurso interno ou externo, com o argumento de que dispõem de graduação! E tem gente que diz que diploma não vale nada... Quando lhes interessa, bem entendido!
             Já a “saga” dos que preferem trabalhar com pessoal “conhecido”, é bem mais prática: Não fazer concursos! Para tanto, contornam a exigência destes, mediante artifícios legais, que contam com a aprovação dos que, em troca, compartilharão das indicações. Afinal, não serão eles que pagarão a conta... Estes podem, até, fazer concursos, mas sempre haverá um subterfúgio, uma entrevista, uma quota, ou uma carta de recomendação – às vezes exigidas no edital! -, que poderá alterar colocações. São critérios volúveis, que sempre deixarão uma aura de suspeição, que sugere que o direito comum foi arrepiado, e que a democracia e a Constituição não passam de mera retórica, oportunista, dos que detêm, momentaneamente, o poder. A maioria das “tradições familiares", no serviço público, surgiu e é mantida assim! O mérito pode, até, existir, mas, a disputa é desleal!
            Para evitar essas nefastas distorções, no acesso ao serviço público, qualquer concurso, que pretenda ser honesto, exige rigorosos e, cada vez mais, sofisticados procedimentos de segurança. Em contrapartida, o tráfico de influências e o oportunismo também inovam, com sistemas de burla dignos dos filmes de espionagem mais audaciosos. A fraude, também aí, entrou na era digital! E é óbvio que a maioria dos que podem pagar por esses “serviços de consultoria” e “apoio logístico” não pertence às classes menos favorecidas.
             O resultado é que, num futuro não muito distante, o aparato dos concursos incluirá: detectores de metal, bloqueadores de sinais de rádio, polígrafos, raios-X, exames de córnea ou DNA, cães farejadores (Será que existe alguma raça que fareje picaretas e fraudadores?)... No limite, os concorrentes farão as provas, nus! Mesmo assim, muitos ainda preferirão gastar tempo, dinheiro, “influência” e o resto de dignidade que ainda tiverem, para “dar um jeitinho”, em vez de, simplesmente, estudar...
             É certo que ser aprovado num concurso honesto, não certifica a retidão de caráter de um indivíduo; mas, é insofismável que quem usa de recursos dolosos para obter cargos públicos têm possibilidades infinitamente superiores de continuar usando esse tipo de expediente no exercício de suas funções! Ao menos teoricamente, o aprovado licitamente terá a independência moral para exercer suas atividades, de forma ética. É bom lembrar que um favorecimento ou facilitação pode virar uma dívida interminável, com ônus para a sociedade, já, por demais, cansada de ser lesada, oficial e oficiosamente. Interessados nisso, os críticos dos concursos públicos continuarão a propalar que eles são entraves burocráticos e anacrônicos à “modernização administrativa”; ou argumentarão que a “carta branca”, que acreditam ter recebido pelo voto, sofre com a “limitação de movimentos”, que um quadro funcional “insubordinado”, estável, “impõe”. Ora, mesmo que isso seja, eventualmente, verdade, se a sua “notória competência” não conseguir administrar dificuldades e conflitos, na área pública, eles sempre terão a alternativa de demonstrar seu "dinamismo" e "qualificação", na privada... Ih! 
             Só que lá também existem processos seletivos, às vezes bem mais rigorosos... E a descarga, perdão, a dispensa é bem mais rápida! 
             Nada é perfeito! A começar pelos que fazem e aplicam as leis! Os fatos estão na mídia, para confirmar... Mas se os concursos idôneos incomodam alguns dos que ocupam, provisoriamente, o poder, também é verdade que eles continuarão a ser dos poucos - e indispensáveis - meios disponíveis ao cidadão comum, para a fiscalização, direta, de governos e empresas públicas!

Fonte: Site duplipensar.net

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