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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Como estudar Matérias Difíceis?




Como você faz para estudar uma matéria que considera difícil? Há alguma estratégia para isto? Já parou para pensar na possibilidade de construir estratégias para trabalhar com as matérias tidas por difíceis, ou mesmo neutralizar a percepção de dificuldade?
Este é um tema muito importante, por vezes não refletido e avaliado pelos candidatos a concursos públicos.
Uma primeira questão relevante para reflexão consiste na identificação da reação que temos diante do estudo de matérias que consideramos difíceis. Qual são as características deste fenômeno? Como ele se manifesta? Sem prejuízo de outras, vamos listar algumas possibilidades:

1- desânimo, falta de vontade e preguiça para estudar;
2- impaciência, principalmente nos momentos de dificuldade para compreensão;
3- algumas vezes raiva e revolta, diante da necessidade de ter que estudar algo que não gostaria de estar estudando;
4- facilidade para dispersão e dificuldade para concentração, na medida em que facilmente perdemos a atenção;
5- tendência e facilidade à protelação. 

Se você nunca tinha parado para se avaliar e refletir sobre isto, passe a ser observar. Pode ser até que encontre outras características. Mas o fundamental é que tome consciência do fenômeno. Este é o primeiro passo!
A partir daí, precisamos nos questionar: por que consideramos aquela determinada matéria difícil? O que a torna difícil para mim? O que está por trás disto?
Existe um campo de conhecimento na psicopedagocia, ciência que tem como objeto de estudo a aprendizagem humana, denominado matemática emocional, a qual procura investigar a origem das resistências e dificuldades de natureza emocional para o estudo da matemática. Não tenho dúvida que muitas das suas construções podem ser úteis na compreensão das causas da dificuldade que temos com algumas matérias que somos obrigados a estudar na preparação para o concurso público.
Assim, numa tentativa de sistematizar as possíveis causas, destacaria as seguintes possibilidades, de forma concomitante ou isolada:
1- falta ou precariedade quanto às premissas e bases conceituais relevantes relacionadas à matéria: por exemplo, tentar estudar Direito Constitucional sem a compreensão e o domínio de conceitos como poder constituinte, teoria da constituição, espécies de constituição, direitos fundamentais, federalismo e outros semelhantes;

2- exigência de abstração excessiva para a compreensão da matéria. Matemática, por exemplo, é uma das matérias que mais exige abstração, sendo que, não por acaso, popularmente é considerada uma matéria difícil. Vale lembrar que, teoricamente, o concreto é mais fácil e o abstrato mais difícil;

3- estilo de aprendizagem e o tipo de matéria: teoricamente, existem quatro estilos de aprendizagem – o que não se confunde com estilo cognitivo ou inteligências múltiplas. O estilo de aprendizagem é como predominantemente aprendemos. Existem quatro estilos de aprendizagem, que são Reflexivo, Teórico, Ativo e Pragmático. Ainda tomando o exemplo da matemática, a qual exige a realização de exercícios, os Ativos e os Pragmáticos tendem a ter mais facilidade que os Teóricos e os Reflexivos;

4- fatores psicanalíticos: é possível que não tenhamos nenhuma consciência dos fatores que determinam a percepção de dificuldade de alguma matéria, exatamente por estes serem inconscientes. Em certa ocasião participei de um grupo de estudo de psicopedagogos, que discutiam o caso de dificuldade de uma criança com determinada matéria, sendo que após muita investigação se descobriu que o pai, que tinha problemas de relacionamento com o filho e não conviviam frequentemente, trabalhava com a matéria, e a hipótese levantada, a qual depois restou confirmada, era de que a matéria tinha a simbologia do pai, o qual a criança resistia e evitava. Caso este problema não tivesse sido identificado e trabalhado, o futuro adulto também teria dificuldades com a matéria.

Considerando as possibilidades levantadas, pode ser que, quanto a alguma matéria que você tem dificuldade, alguns destes fatores tenham determinado. Pode ser que você identifique outros fatores.
Mas a grande questão é, como reverter a percepção de dificuldade e resistência que temos com determinada matéria? Vamos a algumas das possíveis atitudes:

1- primeiramente, tome consciência da forma mais ampla possível da situação. Ou seja, identifique quando tem dificuldade com alguma matéria, reconheça isto, perceba como se manifesta e investigue as causas. Não adianta esconder a poeira embaixo do tapete e ficar fazendo exercícios de pensamento positivo e imagem mental como muitos “especialistas” (sem especialização) em preparação para concurso propõem. É preciso tomar consciência e enfrentar a realidade!

2- alem disto, procure avançar de forma gradativa. Este é o “pulo do gato”! Se você avança gradativamente, desfrutará a satisfação dobrada de dominar aquilo que resistia e considera difícil e, com isto, passa a se sentir mais seguro e motivado para avançar. Trata-se de um círculo virtuoso. Porém, se forçar a barra e radicalizar, pode cair e tornar a situação mais difícil;
3- trabalhar estratégias para neutralizar a resistência no plano emocional, inclusive construindo aplicações concretas e reais do seu dia a dia.

Com tudo isto, entendendo o fenômeno, trabalhando as causas, promovendo avanços gradativos e trabalhando a superação da resistência, quando olhar para trás verá o quanto evoluiu naquilo que considerava difícil. Neste momento, provavelmente você sentirá orgulho de si mesmo e experimentará uma agradável sensação de satisfação. E com o tempo, pode ser que a dificuldade com a matéria se torne facilidade, bem como a resistência vire interesse e vontade.

Autor: Dr. Rogério Neiva
Fonte: Blog do Professor Rogério Neiva



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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Se a vida te der limões...



Se a vida te der limões… faça uma limonada ou uma caipirinha! (risos). Brincadeiras à parte, concurseiros, existem dias na nossa jornada de estudos que exigem enorme flexibilidade por parte de nós. Ou a gente se adapta ou tudo dá errado. Eu estou em um momento desses.
Minha mãe foi operada para recompor o tendão do ombro direito e eu preciso cuidar dela. Só que eu preciso estudar também! Ocorre que esse é o tipo de situação que não podemos evitar. Trata-se de um imprevisto. E vocês sabem: mãe é mãe. Merece todo carinho desse mundo, não é mesmo?
Como tenho feito? Primeiro, quando fui acompanhá-la no hospital, no dia da cirurgia, levei meu livro de questões pra resolver enquanto a esperava ser operada. Nada que exigisse uma concentração incrível. Vejam bem: no momento em que as resolvo, dou o máximo de mim, mas é algo que me permite fazer intervalo entre uma resolução e outra. Assim, eu podia dar atenção à minha mãe quando ela precisasse de mim.
Em casa, eu tenho procurado me revezar com meus familiares para que todo mundo consiga fazer seus afazeres e dar a atenção que a minha mãe merece. Ela, por sua vez, tem sido super colaborativa. Resolveu colocar todas as leituras em dia! Lê os livros dela e não faz barulho. Ou, então, vê televisão baixinho pra não me atrapalhar enquanto estudo.
Alguns concurseiros, por conta da dificuldade em adaptar-se, ficariam desesperados. Eu os entendo e digo que também já tive meus dias de desalento! Só que, por conta da necessidade, acabei me moldando à realidade. Precisamos usar mesmo a nossa criatividade nessas horas. E olha que isso que fiz e estou fazendo nem é das coisas mais imaginativas desse mundo! (risos)
RESUMO DA ÓPERA - Quando estamos em situações diferentes daquelas que planejamos inicialmente, devemos pensar fora da caixinha. Colocar a nossa inventividade à prova. A gente avalia a situação, com bastante pé no chão, e faz uma adaptação para poder concretizar nossos projetos. Você pode ouvir uma aula, ler a matéria num tablet (eu não tenho ainda) ou levar seu livro de questões. O que não pode é se considerar um (a) derrotado (a)!

Autora: Raquel Monteiro
Fonte: Site do Concurseiro Solitário

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segunda-feira, 9 de julho de 2012

Hoje é o dia de tomar uma decisão!



   Como é difícil tomar a decisão de estudar (de verdade) para concursos públicos. Eu sei disso por experiência própria.
   Normalmente, essa decisão demora um pouco para ser tomada, e isso porque nós (normalmente) tendemos ao imediatismo e cedemos aos apelos da preguiça. Mas concurso público é como qualquer outra coisa na vida, e eu costumo dizer isso. Da mesma forma que os casais demoram a se decidir por um filho (quando ele não acontece, simplesmente), e muitas pessoas começam um determinado curso superior para terminar, alguns anos depois, em outro completamente diferente, essa não é uma decisão das mais fáceis.
   A grande questão é que, com o passar do tempo, os concursos também tendem a ficar cada vez mais difíceis, e o número de concorrentes a aumentar exponencialmente. Ou seja, se você ainda está “brincando de estudar para concursos”, a hora de tomar a decisão de estudar de verdade é agora! É claro que muitos estão “brincando” e sequer perceberam isso, mas pare para pensar um pouco, coloque toda a sua experiência com concursos (os cursos que já fez – e está fazendo –, as provas, as constantes derrotas, o tempo de estudo, o planejamento de estudo, o foco – ou a falta dele – em determinado poder ou carreira) em cima da mesa, e você verá se está, de fato, estudando de verdade para um concurso público. Se você está e ainda não foi aprovado, meus parabéns! É só uma questão de tempo, paciência e persistência. Se não está, é hora de tomar uma decisão, pois caso não tome, continuará jogando dinheiro e tempo (o que para mim é muito mais valioso) no lixo.
  Também não podemos nos esquecer das desculpas. Muitos alegam que todo e qualquer concurso é fraudado, e que todas as vagas são marcadas – os famosos cabides de emprego. Isso existe? Claro! Mas não pode ser usado como desculpa para deixar de lado os estudos e, consequentemente, seus sonhos. Alguém conhece algo mais fácil do que encontrar argumentos e motivos para deixar de lado aquilo que exige de nós uma postura diferente, força de vontade, disciplina e determinação? Uma das grandes verdades da vida, e aqui me arrisco a afirmar isso, é que tudo aquilo que conquistamos com muito esforço tem muito mais valor, é muito mais gostoso e vale muito mais a pena.

 RESUMO DA ÓPERA - A hora é agora! Os concursos irão continuar. Os Editais continuam – e continuarão – sendo publicados em todo o país. As chances continuam ao alcance daqueles que tomaram a decisão de chegar lá. A grande questão é: você fará parte desse grupo? Faça parte dele, tome uma decisão ainda hoje. Deixe as desculpas de lado e assuma o compromisso de superar a si mesmo – mas faça isso por você, não para provar algo para os demais. Faça isso hoje mesmo, tome a decisão e a leve a sério; e, se decidir fazê-lo, fica o recado: não tenha dúvidas, ao final, valerá muito a pena!

Autor: Alisson Felipe
Fonte: Blog do Concurseiro Solitário


Qual a meta de páginas por dia de estudo?





          Muitos candidatos a concursos públicos se preocupam com a quantidade de páginas por dia. Alguns atribuem um valor excessivo a esta preocupação, por vezes vivenciando angústias e até desespero.
É bem verdade que não há verdades absolutas em relação a nada na vida, principalmente quanto ao que envolva a natureza humana e, de forma mais destacada, os fenômenos cognitivos. Mas não se pode negar que existem pessoas que passaram em concursos públicos se orientando por metas de páginas por dia. Ea estruturação de um planejamento de estudo baseado em tais parâmetros, inegavelmente, proporciona precisão gerencial, bem como monitoramento e controle da execução.
Porém, algumas considerações e alertas se fazem necessários.
O primeiro é que, como tudo na vida, preocupações excessivas e além do limite do razoável nunca são recomendáveis. Inclusive, a depender do nível e da situação, tal fenômeno pode ser classificado como uma patologia psicológica. Portanto, não é bom que nada no processo de preparação para o concurso público seja objeto de preocupação excessiva, tal como uma paranóia, até mesmo assumindo características de transtorno obsessivo e compulsivo.
Mas um dos aspectos relevantes acerca da reflexão sobre a quantidade de páginas por dia consiste não no resultado quantitativo, mas qualitativo. Isto é, mais importante do que a quantidade de páginas estudadas trata-se da qualidade, em termos de eficácia cognitiva do estudo realizado.
E o que isto significa? Ou seja, o que é eficácia da aprendizagem?
Existem várias teorias, modelos e paradigmas para a compreensão do fenômeno da aprendizagem humana. Inclusive, a aprendizagem consiste numa função cognitiva secundária, para a qual é necessária a mobilização da concentração e memória, enquanto funções cognitivas primárias.
Mas para o fim do presente texto, vamos considerar como eficácia da aprendizagem o estudo de uma determinada página que resultou na compreensão, apropriação e disponibilidade intelectual do objeto de conhecimento abordado nesta mesma página. Em termos práticos, isto significa que, caso sejam cobradas na prova aquelas informações, você terá condições de responder a questão.
Portanto, isto é o mais importante.
Porém, nada impede e é saudável que você tenha consciência, acompanhe e monitore como está o seu estudo, em termos de quantidade de páginas. E para isto é preciso contar com algum parâmetro quantitativo.
No caso, é fundamental que tal parâmetro seja estabelecido de forma subjetiva, considerando as suas particularidades. Para tanto, no estabelecimento destes parâmetros quantitativos e subjetivos, é preciso que se considere as suas condições, em termos de capacidades cognitivas, bem como as características e a sua relação com a fonte bibliográfica e matéria que está estudando.
Assim, por um lado, cada candidato tem capacidades cognitivas distintas, o que repercutirá no tempo demandado para a leitura de uma página. Inclusive uma mesma pessoa, a depender do momento da vida ou de estudos, tende a contar com um tempo diferente.
Neste sentido, vale alertar para o espetacular fenômeno da neuroplasticidade, segundo o qual quanto mais o cérebro é demandado, mais amplia a sua capacidade de respostas. Dessa forma, a sua quantidade de páginas tende a mudar ao longo da preparação para o concurso público.
Por outro lado, também para uma mesma pessoa considerada, cada matéria ou fonte estudada pode demandar um tempo e custo cognitivo distinto para o estudo. Isto decorre de uma série de fatores, inclusive relacionados a aspectos culturais e de formação. E fundamentos científicos para sustentar tal compreensão não faltam.
Dessa forma, é fundamental que os parâmetros quantitativos, em termos de metas de páginas ou de referências para avaliar se está indo bem, não sejam ditados por terceiros ou estabelecidos de forma universalizante. Tais parâmetros devem ser subjetivos, individuais e específicos, considerando cada candidato e cada matéria.
E a partir daí é possível construir metas racionais de páginas por dia.
Mas como construir parâmetros quantitativos em termos de metas de páginas por dia?Uma das formas de estabelecimento dos referidos parâmetros consiste na metodologia inerente ao Sistema Tuctor.
Segundo esta, o candidato deve considerar uma página como uma Unidade de Estudos. Conforme o Glossário da Metodologia, a Unidade de Estudo consiste na “menor unidade gerencial do planejamento da preparação para o concurso público. Consiste na célula elementar que permite realizar estimativas e mensurações. Decorre da natureza da Fonte de Estudo. Se a Fonte for um livro ou apostila, a unidade de estudo será uma página, sendo um conjunto de exercícios, será um único exercício, se a fonte for um curso, a unidade será uma aula”.
Além disto, também é preciso contar com outro parâmetro, o qual corresponde ao Tempo por Unidade de Estudo (TUE), consistindo numa estimativa de tempo demandado para uma Unidade de Estudo ou, no caso, página. Vale destacar que no momento inicial é possível que esta estimativa seja pouco precisa, sendo que estimativa não se confunde com certeza.
Mas com os referidos critérios, a metodologia estabelece metas de páginas, conforme as particularidades de cada candidato e para cada matéria.
Porém, ainda conforme o mencionado método, ao longo da evolução dos estudos existe ofenômeno da Equalização, segundo o qual as metas de páginas ou unidades de estudos são ajustadas, conforme o que vem ocorrendo. Isto inclusive neutraliza a possível imprecisão do tempo por unidade de estudo (TUE) apurada no momento inicial.
Contando com tais parâmetros quantitativos, mas de natureza subjetiva, o candidato pode se monitorar, avaliando como avança.
No entanto, é preciso ter responsabilidade. Isto significa não procurar avançar por avançar. Ou seja, ter a certeza de que a página computada como estudada foi, de forma consciente e sincera, efetivamente estudada. Não faz sentido se enganar.
Tendo a referida responsabilidade e seriedade, você pode trabalhar com metas subjetivas de páginas e avaliar como avança.
No entanto, como tudo na vida, sem se escravizar e fazer disto uma preocupação desesperadora, pois o mais importante será sempre o resultado qualitativo e o quanto isto será relevante na prova.

Autor: Dr. Rogerio Neiva
Fonte: Blog do Professor Rogerio Neiva



quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Otimização do Estudo (Wiliam Douglas)


Por Wiliam Douglas

1. INTRODUÇÃO
As condições de um mercado de trabalho cada vez mais restrito têm indicado os concursos públicos como uma das melhores opções para a rápida obtenção de estabilidade, status e boa remuneração. O perfil dos acadêmicos das Faculdades de Direito tem se modificado, e a intenção de realizar concursos é a marca predominante no alunado, opção que também é manifestada entre profissionais liberais e empregados do setor privado.
Em conseqüência desse fenômeno, os cursos preparatórios e as listas de inscritos em concursos estão, a cada dia, mais abarrotados. Não obstante, os índices de aprovação continuam em patamares incrivelmente baixos, próximos de 1 a 2%. Mesmo os Exames de Ordem indicam o baixíssimo nível de formação dos bacharéis. Os chefes de Instituições reclamam incessantemente que não conseguem preencher as vagas por falta de candidatos habilitados em suficiente número. Assim, paradoxalmente, aumentam os candidatos e diminui ainda mais o número de aprovados. Por mais que se esforcem, faculdades e cursos preparatórios têm tido pouco êxito. Mas, qual a razão dessa carnificina ou, quando menos, como inverter esse lamentável quadro?
O desempenho dos candidatos nos concursos públicos serve como inquestionável demonstração da baixa qualidade do ensino jurídico. Causas e soluções para tais deficiências vêm sendo tema de debate entre os profissionais da área e professores, desde longa data, indicando a necessidade de alguma mudança radical. Os remédios até agora utilizados não têm se mostrado eficazes contra o mal diagnosticado. As recentes modificações normativas na educação brasileira e no ensino do Direito indicam a tentativa de busca por soluções para estes dilemas, embora as tenhamos por ainda tímidas.

2. RACIOCÍNIO OU REPETIÇÃO
Temos para nós que uma das principais falhas do sistema está na forma de ensino do Direito, voltado quase que exclusivamente para a estéril análise de leis e códigos, sem sequer haver preocupação com a formação da capacidade de raciocínio jurídico e de espírito crítico nos alunos. O acadêmico, ao invés de aprender a interpretar as leis, decora a interpretação da norma vigente. Quando uma lei é revogada, o acadêmico é incapaz de interpretar a norma que a substitui. Isso ainda fica mais patente hoje, pelo país ter o sistema jurídico de maior mutabilidade que se tem notícia. Atualmente, existe o direito consuetudinário, o civil law e o direito brasileiro, onde as Medidas Provisórias são mais rápidas que os costumes, que a lei, a jurisprudência ou qualquer outra coisa que se move.
Por muito tempo e ainda em muitos lugares, todo o sistema de ensino (jurídico e não jurídico) nada mais é do que meter um monte de informações na cabeça de alguém, e exigir que este alguém seja capaz de repetir uma porcentagem disso, na hora da prova. O ensino terminou sendo atividade de informar, e não de formar pessoas. Educar deixou de ser paixão, alegria, força, intensidade, curiosidade e crescimento, para ser uma mera atividade de repetição, estéril e sem graça. Fazem dos alunos roscas, parafusos e roldanas, como peças nas fábricas da era da industrialização. Felizmente, aos poucos, vai se redescobrindo o estudo como algo agradável, criativo, inovador. Apenas assim formam-se pessoas e preparam-nas para a vida real, para o século XXI, para uma vida realmente produtiva.

3. O SUBAPROVEITAMENTO DO CÉREBRO
Mais grave do que a insana opção pelo automatismo intelectual, temos como causa principal do sofrível desempenho dos nossos alunos o fato de não saberem eles aproveitar o seu estupendo potencial intelectual. Nossos alunos, em geral, e com honrosas, mas poucas exceções, não sabem ler com eficiência, não sabem estudar, não possuem suficiente capacidade de expressão escrita e verbal, em suma, subaproveitam sua quase ilimitada capacidade cognitiva. Não estou falando apenas de matérias como Metodologia do Ensino e da Pesquisa, sede onde muito poderia se aprender, mas que permanece desprezada, tanto pelas instituições quanto pelos alunos. É preciso aprender a aprender.
A verdade é que alguns professores e a maioria absoluta dos alunos não dá importância a assuntos basilares, tais como as técnicas de aprendizagem e o funcionamento do cérebro, da memória, da inteligência etc. Em geral, os alunos desprezam pontos da matéria, como a introdução e os princípios e conceitos fundamentais, pois querem "ir direto para o assunto", não querendo "perder tempo" com estas partes, que para eles são de somenos importância. Eles estão viciados em não pensar, a se satisfazerem com um produto final e acabado, sem que possam ou saibam julgá-lo.
Este comportamento repete a prática mais que comezinha de as pessoas não lerem os manuais de instrução dos eletrodomésticos que adquirem. Apesar de, lá uma vez ou outra, alguém fundir um aparelho, via de regra, consegue-se usar um liqüidificador ou videocassete sem a leitura do manual. Nesses casos, o subaproveitamento da máquina, que decorre da falta de conhecimento de seu modus operandi, permanece em limites toleráveis. Todavia, quanto mais complexo o equipamento, maior a necessidade de, mesmo com algum trabalho, estudar-se o manual, ver como a máquina funciona, sua potencialidade, funções etc. Se isto não ocorrer, o subaproveitamento será considerável. Como o cérebro é muito mais sofisticado que o mais avançado dos computadores, é preciso "ler o manual", sob pena de estarmos condenados a subaproveitá-lo. Os índices de aprovação dos bacharéis em concursos públicos mostram que o uso do cérebro e da inteligência sem a "leitura do manual" está sendo insuficiente.

4. QUANTIDADE X QUALIDADE DO ESTUDO
Outro ponto a ser considerado é que, como tudo na vida, importa mais a qualidade do que a quantidade. Há quem estude 12 horas por dia e seu resultado prático seja inferior ao de outro que estuda apenas uma hora por dia. Por quê? Por causa de inúmeros fatores, como a concentração, a metodologia e o ambiente de estudo. Mesmo assim, os estudantes e candidatos se preocupam apenas com "quantas horas" ele ou o colega estudam por dia, e quase não se vê a preocupação com o "como" se estuda.

5. OTIMIZAÇÃO DE ESTUDO
Como um dos caminhos para solucionar o fraco desempenho de nossos alunos, entendemos que deva ser dada atenção ao processo de aprendizagem da aprendizagem, aquilo que chamamos de Otimização de Estudo. Otimização, como já diz Aurélio, "é o processo pelo qual se determina o valor ótimo de uma grandeza, é o ato ou efeito de otimizar ". Assim, é tornar algo ótimo, é buscar o que é excelente, o melhor possível, "o grau, quantidade ou estado que se considera o mais favorável, em relação a um determinado critério". Através da otimização é possível estudar uma mesma quantidade de horas, obtendo-se um considerável ganho em agregação de novos conhecimentos, decorrente do acréscimo de qualidade. Em suma, o aperfeiçoamento da capacidade de aprendizagem resulta em maior produtividade, exatamente o que tem faltado aos nossos alunos e candidatos.

6. ACRÉSCIMOS DE INTELIGÊNCIA E DESEMPENHO
Somos educados a pensar que a inteligência e a beleza são dádivas da vida, às quais já recebemos prontas e acabadas, estando condenados a passar o resto da vida com a quantidade de uma ou de outra que foi por nós recebida. É óbvio que aquele que do destino já recebeu beleza e/ou inteligência prontas é um afortunado, com muito mais facilidade e conforto. Para quem não nasceu genial ou lindo, porém, resta apenas a resignação?
As academias de ginástica, clínicas de beleza e os cirurgiões plásticos já há tempos vêm provando que a beleza pode ser obtida com esforço pessoal e tecnologia. No que tange à inteligência, aos poucos vai se firmando não só o seu melhor conceito, mas também, e felizmente, o fato de que ela pode ser aperfeiçoada. É óbvio que o gênio e o espírito criativo nascem prontos, contudo, eles podem se aperfeiçoar. As pessoas que não tiveram tal sina podem aprender técnicas que otimizem suas capacidades, muitas delas aprendidas da observação dos gênios.
O fato é que é possível aprender a ser mais inteligente, bem como a desenvolver espécies diferentes de inteligência. Os melhores conceitos de inteligência são aqueles que a indicam como a capacidade de adaptar-se a novas situações, e como capacidade de buscar a felicidade. Isto pode ser aprendido. Como já disse Charles Chaplin, precisamos mais de humanidade do que de inteligência. A inteligência necessária para a felicidade está à disposição de todos. Além do mais, não existem pessoas burras, existem pessoas que ainda não tiveram a possibilidade de se educarem e de crescerem intelectualmente. Isto, aliás, é tarefa moral da sociedade, do Estado e dos que já angariaram um certo grau de inteligência.


7. CONCLUSÃO
Entendemos, assim, ser necessário um esforço, no sentido de desenvolver as inteligências, a capacidade de aprendizagem e o inesgotável potencial do cérebro humano. Se isto não for feito, nossos alunos continuarão condenados a níveis insatisfatórios de desempenho. Lidamos, hoje, com grande quantidade de esforço desperdiçado, baixa produtividade no processo de ensino e aprendizagem e frustração inteiramente desnecessárias. Antes de ensinar ao aluno a matéria em si ("o inimigo"), devemos ensiná-lo a conhecer a si próprio e a dominar sua espetacular capacidade de crescimento humano e cognitivo. Isso foi dito já há 2.500 anos, por Sun Tzu, excepcional general chinês, na obra "A Arte da Guerra ":
"Se conhecermos o inimigo e a nós mesmos, não precisamos temer o resultado de uma centena de combates. Se nos conhecemos, mas não ao inimigo, para cada vitória sofreremos uma derrota. Se não nos conhecemos nem ao inimigo, sucumbiremos em todas as batalhas."


* William Douglas, 40 anos, é Juiz Federal, Professor universitário, Mestre em Direito, especialista em Políticas Públicas e Governo, e autor de diversos livros, entre os quais Como passar em provas e concursos e Direito Constitucional - Teoria e 1.000 questões. Foi 1º colocado nos concursos para Juiz de Direito, Defensor Público e Delegado de Polícia.www.williamdouglas.com.br

Fonte: Site PCI Concursos

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